18.08.2018 às 10:55
MP-SP diz que PCC quer dividir MS por regiões para controlar Estado
Conversas telefônicas interceptadas pelo MPE-SP (Ministério Público Estadual de São Paulo) em julho deste ano revelam traços significativos da organização da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) em Mato Grosso do Sul.
De acordo com as investigações, que culminaram na operação Echelon, do Gaeco-SP (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), o Estado é alvo de disputa entre facções devido sua proximidade com a fronteira e por ser a principal rota de entrada de armas e entorpecentes do país. Na prática, relaciona-se o controle sobre o Estado com o fortalecimento da facção nas demais regiões do país.
Nas conversas interceptadas e que constam no relatório, membros e líderes do PCC discutem exaustivamente as estratégias de condução e de administração das diversas regiões de Mato Grosso do Sul. A transcrição das escutas também revelam detalhes do funcionamento do "Tribunal do Crime" – uma espécie de acerto de contas entre membros de diferentes facções ou de desertores.
Os registro detalham que o PCC divide a atuação em MS a partir da criação de quatro regiões, além da Capital. Cada uma delas teria características específicas, que requereriam estratégias diferenciadas. A região Norte, segundo as escutas, é composta pelos municípios de Sonora, Rio verde, São Gabriel do Oeste, Bandeirantes, Camapuã, Corguinho, Rio Negro, Rochedo, Cassilândia, Aparecida do Taboado, Inocência, Paranaiba, Chapadão do Sul, Costa Rica e Alcinópolis.
Já a região sul – a mais tensa na disputa entre as facções – seria composta por Maracaju, Caarapó, Fátima do Sul, Rio Brilhante, Ivinhema, Jardim, Itaporã, Dourados, Glória de Dourados, Douradina, Deodápolis, Angélica, Ponta Porã, Tacurú, Novo Horizonte do Sul, Coronel Sampucai, Iguatemi, Mundo Novo, Amambai, Aral Moreira e Bela Vista.
O Bolsão é distinguida como Região Leste, composta por Água Clara, Santa Rita do Pardo, Ribas do Rio Pardo, Três Lagoas, Selvíria, Anaurilândia, Brasilândia, Nova Alvorada, Bataiporã, Nova Andradina, Bataguassu e Naviraí. A região do Pantanal, composta por Ladário, Corumbá, Coimbra, Miranda, Aquidauna, Anastácio, Bodoquena, Sidrolândia, Bonito, Nioaque, Caracol e Porto Murtinho, é considerada a Região Oeste.
Nas principais cidades de cada região, as escutas descrevem o funcionamento de estretégias chamadas de "Tabuleiros", uma alusão ao tabuleiro de xadrez, nas quais a facção planejava alguma ação, seja uma emboscada para matar algum agente ou autoridade, seja a captura de algum rival. Ações como essas são descritas na região de Dourados, Rio Brilhante e Coxim.
A guerra entre as rivais PCC e o CV (Comando Vermelho) ocorrem pela disputa territorial e consequente controle de regiões estratégicas do Estado, considerado a principal rota de entrada de drogas e armas, além de controle da massa carcerária. A partir desta disputa, ocorre o que consta nos relatórios como "Tribunal do Crime".
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